Quase 15 anos após o assassinato da adolescente Maiana Mariano Vilela, de 16 anos, o empresário Rogério Silva Amorim foi preso nesta terça-feira (26), em Cuiabá, para começar a cumprir a pena de mais de 20 anos de prisão pela morte da jovem. A prisão ocorreu depois de anos de recursos judiciais e também após a família voltar a cobrar publicamente justiça em entrevistas recentes.
O caso chocou Mato Grosso pela brutalidade do crime e pela relação mantida entre a vítima e o empresário, apontado como mandante do homicídio.
Maiana desapareceu em 21 de dezembro de 2011, após sair para descontar um cheque em uma agência bancária no bairro CPA II, em Cuiabá. Segundo a investigação, naquele mesmo dia ela foi atraída até uma chácara na região do Altos da Glória, sob o pretexto de entregar R$ 400 a um caseiro, a pedido de Rogério.
Na época, Maiana mantinha um relacionamento extraconjugal com o empresário havia cerca de um ano. Conforme consta no processo, os dois moravam juntos havia cinco meses, em união estável, apesar de o empresário ser casado.
A adolescente nunca voltou para casa.
Após meses de buscas, a Polícia Civil concluiu que Maiana havia sido assassinada. Em 25 de maio de 2012, os restos mortais da jovem foram encontrados enterrados em uma cova rasa, em uma área de mata próxima à Ponte de Ferro, na região do Coxipó do Ouro, em Cuiabá.
Na ocasião, a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) deflagrou operação que resultou na prisão de oito pessoas ligadas ao caso.
Entre os presos estavam Rogério Amorim e a esposa dele, C.M., apontados como mentores do crime. Também foram detidos Paulo Ferreira Martins e Carlos Alexandre Nunes da Silva, os executores.
Segundo a investigação conduzida pela delegada Anaide Barros, o assassinato foi premeditado. “Rogério armou uma cilada para ela. Tudo foi premeditado”, afirmou a delegada na época.
De acordo com a Polícia Civil, quem aguardava Maiana na chácara não era o caseiro para quem ela supostamente faria um pagamento, mas Paulo Ferreira Martins. Ele matou a adolescente por asfixia, colocando um pano na boca da vítima. Depois, com a ajuda de Carlos Alexandre, o corpo foi levado até a região do Coxipó do Ouro e enterrado.
A motocicleta Biz cor de rosa usada pela adolescente, usada como parte do pagamento para os assassinos, teria sido desmanchada após o crime.
O julgamento dos acusados ocorreu apenas em outubro de 2016, quase cinco anos após o crime. O caso teve sucessivos adiamentos antes de ir ao Tribunal do Júri.
Após dois dias de julgamento, Rogério Amorim e Paulo Ferreira Martins foram condenados por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.
Rogério recebeu pena de 20 anos e três meses de prisão em regime fechado. Paulo Ferreira Martins foi condenado a 18 anos e nove meses. Já Carlos Alexandre acabou absolvido da acusação de homicídio, sendo condenado apenas por ocultação de cadáver.
Durante o julgamento, familiares de Maiana reafirmaram que o empresário foi o responsável por encomendar o assassinato da adolescente.
O Ministério Público sustentou que o crime foi praticado mediante paga, com recurso que dificultou a defesa da vítima e uso de meio cruel.
No entanto, mesmo condenado em 2016, Rogério permaneceu em liberdade durante anos, baseado em recursos apresentados pela defesa.
Prisão após 10 anos da condenação
A prisão do empresário ocorreu somente nesta terça-feira (26), em uma mansão localizada em um condomínio de luxo de Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, Rogério passou a ser considerado foragido após o Supremo Tribunal Federal (STF) manter a condenação em 2025.
Ao deixar a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o empresário negou participação no assassinato.
“Eu era casado com ela. Não mandei matar não. Fui condenado e agora vou cumprir”, declarou à imprensa. Questionado se teria pago para que Paulo Ferreira Martins e Carlos Alexandre executassem a adolescente, respondeu: “Não paguei nada não”.
A prisão encerra a espera da família de Maiana por Justiça, em um dos casos de maior repercussão sobre a violência contra mulheres em Mato Grosso.
Fonte: Midia Jur