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PGR diz que lobista usou ameaça de prisão para cobrar R$ 5 milhões

Jun 01, 2026  Redação  Contador
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O lobista mato-grossense Andreson de Oliveira Gonçalves teria usado a ameaça de uma possível prisão preventiva de Nelson José Vigolo como forma de pressionar o pagamento de valores milionários. O caso está na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga um suposto esquema de venda de decisões judiciais e vazamento de informações sigilosas no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

De acordo com a PGR, entre março e abril de 2020, Andreson solicitou e recebeu valores de Nelson Vigolo sob o argumento de que poderia influenciar decisões no Pedido de Busca e Apreensão Criminal nº 10/DF, relacionado à Operação Faroeste e sob relatoria do ministro Og Fernandes, do STJ.

O procedimento estava vinculado à Operação Faroeste, que apurava a venda de decisões judiciais no âmbito do Tribunal de Justiça da Bahia. Em 24 de março de 2020, foi deflagrada a 5ª fase da operação, com a imposição de medidas cautelares contra diversos investigados, entre eles Júlio César Cavalcanti Ferreira, a desembargadora Sandra Inês Moraes Rusciolelli Azevedo, seu filho Vasco Rusciolelli Azevedo, o advogado Vanderlei Chilante e Nelson José Vigolo, representante da Bom Jesus Agropecuária.

Segundo a acusação, Andreson dizia manter acesso a pessoas ligadas ao gabinete do ministro relator e afirmava que poderia atuar para evitar a decretação da prisão preventiva de Vigolo. Essa suposta influência, conforme a PGR, era usada para dar credibilidade às negociações e aumentar a pressão sobre o empresário.

Nas mensagens citadas pela Procuradoria, Andreson afirmava que Nelson “está é fudido” e que o Ministério Público defendia sua prisão preventiva por considerá-lo “corruptor”. Em outro trecho, também dizia que a defesa de outro investigado tentava atribuir a Vigolo a responsabilidade central pelos fatos apurados na Operação Faroeste.

A PGR sustenta que a estratégia consistia em criar um cenário de urgência. Em uma das conversas, Andreson teria afirmado que a decisão que indeferiria a prisão de Vigolo já estaria pronta e seria levada ao ministro para assinatura. Em outra mensagem, reforça que “está tudo ok” e que o despacho ocorreria no dia seguinte.

O documento também aponta a participação do advogado Roberto Zampieri, assassinado em Cuiabá em dezembro de 2023, nas tratativas. Segundo a denúncia, ele teria atuado como intermediário junto a pessoas ligadas a Vigolo. Em mensagens de 25 de março de 2020, Zampieri teria informado que “Valdir já concordou e disse que já está fechado”, enquanto Andreson buscava reduzir o valor exigido pelo suposto interlocutor em Brasília.

A negociação, segundo a PGR, envolvia cifras milionárias. Em uma das mensagens, Andreson teria afirmado que “o contrato está fechado” e que o pagamento de R$ 5 milhões seria realizado na semana seguinte. O valor estaria ligado ao suposto fluxo de informações privilegiadas que ele dizia obter de um interlocutor em Brasília.

A movimentação financeira também foi destacada pela Procuradoria. Em 30 de março de 2020, a conta de Zampieri recebeu R$ 4 milhões da empresa Afare 1. Em seguida, houve duas transferências para a Florais Transportes Eireli, empresa de Andreson, nos valores de R$ 2 milhões e R$ 1 milhão. Segundo a PGR, os valores são compatíveis com uma minuta de contrato encontrada em equipamento apreendido na sede da empresa.

O documento localizado previa a prestação de serviços advocatícios em favor de Nelson José Vigolo no valor de R$ 3 milhões, destinados ao escritório Ribeiro & Martins Advogados Associados, ligado à advogada Mirian Gonçalves, esposa de Andreson. O contrato mencionava atuação em procedimentos relacionados à Operação Faroeste.

Para a PGR, Andreson explorou a percepção de influência sobre o andamento do processo para obter vantagem indevida. Nesse ponto, a denúncia ressalta que não se trataria de venda efetiva de decisão judicial, mas de exploração de prestígio, baseada na promessa de influência junto a agentes públicos.

O episódio integra um conjunto mais amplo de acusações envolvendo Andreson, Roberto Zampieri, servidores do STJ e outros investigados. A PGR sustenta que o grupo atuava de forma estruturada, com núcleos responsáveis pela captação de interessados, acesso a informações internas de tribunais e movimentação de valores por meio de empresas e operações financeiras fracionadas.

Fonte: Estadão MT


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