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Herman Benjamin usou dezenas de carros oficiais para turismo no RJ diz site Metrópoles

jun. 03, 2026  Redação  12 views

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) mobilizou veículos oficiais da própria Corte, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) e do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) para passeios turísticos com convidados estrangeiros de evento sobre ética no Judiciário.

Intitulado “Congresso Internacional Estado de Direito e Ética Judicial”, o evento é uma iniciativa do atual presidente do STJ, ministro Herman Benjamin.

Parte do mundo jurídico vê a atividade como contraponto ao XIV Fórum de Lisboa, mais conhecido como “Gilmarpalooza” — o apelido faz referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Ao contrário do evento do STJ, o Fórum de Lisboa não é patrocinado com recursos públicos.

Embora a maior parte da programação do evento do STJ ocorra em Brasília, o encontro incluiu painel no Rio de Janeiro para discutir o processo de atualização dos Princípios de Bangalore de Conduta Judicial. Esses princípios são um conjunto de diretrizes para a atuação de magistrados propagadas pela Organização das Nações Unidas (ONU). A coluna apurou que foi um pretexto para o roteiro turístico no Rio.

No sábado (30/5), os convidados estrangeiros do STJ fizeram tour pelo Rio de Janeiro em carros oficiais dos tribunais. Visitaram pontos turísticos, como o Maracanã e o Cristo Redentor. No domingo (31), o Brasil jogou contra o Panamá no estádio. A maior parte da programação do encontro, no entanto, ocorre em Brasília (DF). Segundo a coluna apurou, foram usados cerca de 50 veículos oficiais.

Ao todo, o evento reuniu representantes de 23 tribunais estrangeiros — inclusive cortes constitucionais — para discussões sobre ética no Judiciário, inteligência artificial, redes sociais e defesa do Estado de Direito.

A atividade no Rio de Janeiro não consta na programação oficial do Congresso, divulgada pelo STJ em seu site.

Em nota, o STJ disse que os custos do evento ainda serão calculados e “disponibilizados oportunamente no prazo de duas semanas”. Ou seja, o STJ fez evento sobre ética no Judiciário e não sabe dizer quanto custou.

Sobre o passeio da delegação estrangeira no Rio de Janeiro, a Corte disse apenas que os convidados “visitaram pontos turísticos do Rio de Janeiro, sem despesas de almoço e jantar para o STJ”. A Corte não respondeu sobre ter usado carros oficiais.

Nos últimos anos, o próprio STJ passou a enfrentar crise de reputação e imagem pública em razão das investigações sobre venda de sentenças.

Leia abaixo a nota do STJ, na íntegra:

“Não procedem, em absoluto, as informações prestadas à coluna que deram origem ao texto publicado na manhã desta terça-feira (2). O Superior Tribunal de Justiça (STJ) solicita a retificação da nota, considerando os seguintes pontos:

1. O Encontro de Presidentes e Ministros de Cortes Nacionais e Internacionais sobre os Princípios de Bangalore de Conduta Judicial, realizado no Rio de Janeiro, não foi pretexto para passeio na cidade. Tratou-se, na verdade, de evento com densa programação oficial e pública, analisando um dos temas mais importantes para o Judiciário contemporâneo: o processo de atualização dos Princípios de Bangalore de Conduta Judicial, aprovados pela ONU há 20 anos.

2. O programa e informações detalhadas sobre o encontro foram disponibilizadas no portal do STJ:

O relatório preliminar do encontro no Rio de Janeiro também foi disponibilizado, logo após o evento, no site do STJ (ainda em processo de tradução para outros idiomas).

3. Ao contrário do publicado (“uso de cerca de 50 carros”), utilizaram-se apenas duas vans em um evento que contou com a participação de cinco presidentes e seis ministros de cortes internacionais e supremas. O transporte foi feito de forma coletiva, e não individual.

4. A opção por vans e transporte coletivo, que destoa da prática protocolar, reforça a preocupação do Tribunal com custos.

5. Finalmente, não procede a informação sobre uma suposta visita ao Maracanã durante o jogo da Seleção Brasileira, ocorrido quando a delegação já estava em Brasília, a fim de participar do Congresso Internacional Estado de Direito e Ética Judicial, realizado na sede do STJ nos dias 1 e 2 de junho de 2026″.


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