MT teve 123 mortes de crianças indígenas de até 4 anos em 2025, aponta Cimi

MT teve 123 mortes de crianças indígenas de até 4 anos em 2025, aponta Cimi

14/08/2026 09:56
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Mato Grosso registrou 123 mortes de bebês e crianças indígenas de até 4 anos em 2025, o terceiro maior número do país, atrás apenas do Amazonas, com 306, e de Roraima, com 158. Os dados constam do relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2025, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Em todo o Brasil, foram contabilizadas 1.024 mortes de crianças indígenas nessa faixa etária, ante 922 no ano anterior. Segundo o levantamento, 586 óbitos, ou 57% do total nacional, foram atribuídos a causas consideradas evitáveis. Gripe e pneumonia responderam por 104 mortes, doenças infecciosas intestinais por 85 e desnutrição por 32. O relatório não apresenta esse detalhamento por causa de morte especificamente para Mato Grosso.

O estado também aparece entre os que concentraram mais registros de violações relacionadas aos territórios indígenas. Foram 25 casos de invasão possessória, exploração ilegal de recursos naturais ou outros danos ao patrimônio, envolvendo 18 Terras Indígenas. Mato Grosso ficou atrás apenas do Amazonas, que teve 39 casos, e do Pará, com 32. No país, foram 210 ocorrências em pelo menos 151 terras indígenas.

Em outra categoria do levantamento, relativa a conflitos por direitos territoriais, o Cimi contabilizou 21 casos em Mato Grosso. Entre as situações relatadas estão disputas envolvendo os povos Chiquitano, Kayabi, Iny Karajá, Enawenê-Nawê e outros grupos que reivindicam demarcação, conclusão de processos fundiários ou retirada de ocupantes não indígenas.

O relatório também contabiliza oito assassinatos de indígenas em Mato Grosso em 2025, todos de homens, a partir de informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). No Brasil, foram 258 assassinatos, contra 211 no ano anterior. Roraima, Amazonas e Mato Grosso do Sul tiveram os maiores números. Os dados nacionais referentes ao SIM são preliminares e estão sujeitos a revisão.Material de referência geográfica

Garimpo na TI Sararé

A situação da Terra Indígena Sararé, do povo Nambikwara, recebeu destaque no documento. Segundo dados do Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), reproduzidos pelo Cimi, a área perdeu 1.463 hectares de vegetação em 2025 e acumulou 4,9 mil hectares desmatados desde 2023. A terra indígena também teve a maior área com alertas de mineração entre as TIs do país em 2024 e 2025, conforme o sistema Deter.

O Cimi afirma que as operações realizadas pelo governo federal ao longo do ano não conseguiram eliminar o garimpo ilegal na área. O relatório cita estimativa da Defensoria Pública da União de cerca de 5.000 garimpeiros atuando no território e relata que a presença dos invasores restringiu a circulação dos Nambikwara e aumentou a insegurança nas aldeias.

Em uma das operações descritas no documento, realizada a partir de agosto de 2025, órgãos federais desmobilizaram 490 acampamentos de garimpo e inutilizaram 113 escavadeiras hidráulicas, 361 motores e quase 51 mil litros de combustível. Segundo o levantamento, lideranças relataram, porém, o retorno de garimpeiros após as ações e reivindicaram a instalação de bases permanentes de proteção.

No cenário nacional, o Cimi afirma ter identificado aumento em 2025 nas três grandes categorias acompanhadas pela publicação: violência contra a pessoa, violência contra o patrimônio e violência por omissão do poder público. A organização atribui parte do cenário à continuidade dos conflitos territoriais, à demora em processos de demarcação e às invasões de terras indígenas.

O Cimi é uma instituição vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O relatório reúne levantamentos de equipes regionais da entidade e dados de órgãos públicos, entre eles o SIM, secretarias estaduais de Saúde e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

Fonte: Pnb Online
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