O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) vai investigar denúncias de supostas irregularidades em contratos que somam R$ 208,1 milhões, firmados pela MT Participações e Projetos S.A. (MT Par) para a construção do Autódromo Internacional do Parque Novo Mato Grosso. A decisão foi tomada pelo conselheiro Guilherme Antonio Maluf e publicada nesta sexta-feira (17).
A apuração teve origem em uma denúncia encaminhada à Ouvidoria-Geral do TCE, que questiona três contratos assinados no ano passado. Entre as suspeitas apresentadas estão supostas fraudes em licitações, conflito de interesses, corrupção passiva, tráfico de influência e um possível sobrepreço de aproximadamente R$ 3 milhões em uma das contratações.
O denunciante também aponta falhas relacionadas à realização de uma etapa da Stock Car em novembro de 2025, quando as obras do autódromo ainda não estavam concluídas. Segundo a representação, a situação teria contribuído para um acidente que deixou pessoas feridas durante o evento.
Em manifestação ao Tribunal, a MT Par contestou as acusações. A empresa explicou que o aumento dos custos decorreu da ampliação do projeto, que deixou de contemplar apenas um autódromo e passou a incluir um complexo com centro de eventos, museus e parque aquático, além dos impactos da inflação sobre os preços da obra.
A estatal também negou qualquer irregularidade no processo licitatório e afirmou que a organização e a segurança da etapa da Stock Car eram de responsabilidade da empresa promotora da competição e da federação de automobilismo. Com esses argumentos, solicitou o arquivamento da denúncia.
Ao analisar o caso, o conselheiro Guilherme Maluf entendeu que as justificativas apresentadas não são suficientes para afastar, de imediato, as suspeitas levantadas e que será necessária uma análise técnica detalhada da documentação relacionada aos contratos, aos aspectos orçamentários e aos procedimentos administrativos.
Apesar de admitir a denúncia, o relator rejeitou o pedido de suspensão imediata dos pagamentos vinculados aos contratos, por considerar que não foram demonstrados elementos que evidenciassem risco iminente de dano ao erário ou necessidade de adoção de medida cautelar.
Maluf ressaltou ainda que o recebimento da denúncia não representa conclusão sobre a existência de irregularidades nem responsabilização dos envolvidos. O processo foi encaminhado à Secretaria de Controle Externo de Obras e Infraestrutura do TCE, que ficará responsável pela instrução e aprofundamento das investigações.
Fonte: Esporte e Notícias