O delegado Carlos Henrique Engelmann confirmou que uma mulher presa preventivamente esta semana por confessar a morte da própria filha, de 1 e 8 meses, foi encontrada morta, ontem, na cela da Delegacia de Juara (300 km de Sinop), após tirar a própria vida. O caso teve início após o Poder Judiciário acionar a Polícia Civil durante a tramitação de um processo de prestação de alimentos e regulamentação de visitas movido pelo pai da criança. Conforme o delegado, foi constatado que a menina não era vista havia cerca de dois anos.
“A Polícia Judiciária Civil foi acionada pelo Poder Judiciário, que oficiou, nos contando uma história de que um determinado processo em que havia uma ação positiva de prestação de alimentos, movida por um homem, na qual ele buscava não só prestar os alimentos para a filha, mas também o direito de visitação. Há cerca de dois anos, a criança, fruto da união do homem e da mulher acionada, não se encontrava na comarca e, ao ser questionada, não só essa mulher, como todos os familiares dela, não souberam dar conta da criança. Então, a polícia foi acionada e nós instauramos um procedimento investigativo”, explicou.
Durante as investigações, a mulher compareceu espontaneamente à delegacia. Inicialmente, ela apresentou uma versão de que teria entregue a criança para uma desconhecida residente em Campinas (SP). Entretanto, a versão foi descartada pelos investigadores. “Primeiramente, alegou que teria doado a criança, nos idos de janeiro de 2024, para uma pessoa que ela não conhecia e que seria moradora do estado de São Paulo, mais precisamente da cidade de Campinas. Obviamente, com os detalhes que ela nos passou, em verificação rápida, podemos constatar que não houve subsistência na versão que ela apresentava”, afirmou o delegado.
Na sequência das entrevistas, já na presença do advogado, a investigada confessou que havia enterrado o corpo da filha em uma cova rasa nos fundos do sítio onde morava e, posteriormente, revelou que matou a criança por asfixia. “Ela terminou por confessar, primeiramente, que teria inumado o corpo dessa criança, em uma cova rasa, aos fundos do sítio em que ela morava com a família, aqui na cidade de Juara. E, durante o interrogatório formal, a que se submeteu, em meio a volumoso pranto, também confessou que, previamente ao enterro da criança naquele local, ela teria assassinado, por meio de asfixia, com um saco plástico, detalhando, inclusive, que a cor do saco era preta”.
Desde quarta-feira, equipes da Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Politec realizam escavações na área indicada pela investigada. Contudo, até o momento, o corpo da criança ainda não foi localizado. “Escavações estão acontecendo, mas, tendo em vista que ela não indicou com precisão o local exato, inclusive deu alternativas, porque alegou não se recordar muito bem onde seria, e por ser meio a mata, em terreno lodoso e pantanoso, as escavações acontecem e, até o presente momento, esta criança não foi localizada”.
A Polícia Civil representou pela prisão preventiva da investigada, medida que foi decretada pela Justiça após manifestação favorável do Ministério Público. No entanto, enquanto permanecia presa, ela foi encontrada morta. “Na tarde de hoje, entre um procedimento e outro policial, nós fomos até a sala onde ela se encontrava e, infelizmente, a encontramos sem vida, tendo em vista que se suicidou por meio de enforcamento que conseguiu com o cobertor que lhe havia sido entregue”.
Questionado sobre a possível motivação do crime, Engelmann afirmou que, durante os depoimentos, a mulher apresentou versões diferentes, mas que os investigadores acreditam que o assassinato possa ter sido motivado por um sentimento de vingança contra o pai da criança. “Ela teve essa criança com o pai da criança e teria constatado algumas traições por parte dele, e eu acredito que esse motivo a alimentou determinado sentimento negativo que culminou em que ela, por assim dizer, tirou a vida da criança para punir o pai, é o que nós entendemos. Em outros momentos, ela fala que não tinha condições de criar essa criança. Em outros momentos, ainda, ela fala que poderia doar a criança”.
O delegado também relatou que a investigada apresentava comportamento considerado incomum durante as entrevistas, o que motivaria um exame de sanidade mental. “Ela apresentava uma aparente alteração de comportamento, divagando com facilidade sobre condutas bastante horripilantes, por assim dizer, das quais ela diz ser praticadas, e se atendo a detalhes muito pequenos. Um exemplo, ela disse com facilidade que asfixiou a criança, mas que jamais a iria enterrar dentro do saco plástico, porque a criança não seria nem uma galinha. Essa alteração de comportamento deveria ser inclusive objeto de uma perícia médica legal, mas infelizmente, tendo em vista a conduta dela, tirar a própria vida, não vai ser possível realizar”.
Por fim, Carlos Henrique Engelmann fez um apelo para que desaparecimentos de crianças sejam comunicados imediatamente às autoridades. “É triste, é muito triste o fato. Nós rogamos para a sociedade que sempre que tomar conhecimento do sumiço de uma criança procure um órgão policial. A própria família deveria ter entrado em contato com a polícia para verificar, uma vez que os avós, os tios não viram mais a criança, e o pai poderia ter entrado em contato com a Polícia Civil. Se, de repente, ou talvez lá no início, tivesse sido acionada, poderia resolver com mais facilidade”.
Segundo o delegado, embora as buscas sejam difíceis devido às condições do terreno, a Polícia Civil acredita que a mulher dizia a verdade quanto ao local onde afirmou ter enterrado a filha e continuará as escavações até localizar os restos mortais da criança.
Fonte: Só Notícias