O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, de 58 anos, procurou uma cigana em busca de ajuda espiritual apenas oito dias antes de assassinar a advogada Thays Machado, de 44 anos, e o companheiro dela, Willian Cesar Moreno, de 30 anos, em Cuiabá. As conversas, anexadas ao processo criminal, revelam que ele tentava descobrir se conseguiria reatar o relacionamento com a ex-namorada.
As mensagens vieram a público no momento em que o empresário seria levado a julgamento pelo Tribunal do Júri, nesta terça-feira (21). No entanto, a sessão foi adiada após os advogados de defesa deixarem o plenário depois de terem um pedido de adiamento negado pela Justiça.
Nos diálogos, datados de 10 de janeiro de 2023, Carlos Alberto afirma que deseja consultar exclusivamente sobre sua vida amorosa e pergunta se voltaria a se relacionar com Thays.
Durante a conversa, ele informa o nome e a data de nascimento da advogada para que a consulta fosse realizada. A mulher se apresentava como cigana e oferecia um ritual conhecido como “harmonização”, prática espiritual voltada, segundo a crença, ao fortalecimento de vínculos afetivos e à reconciliação de casais.
O desfecho, entretanto, foi trágico. Oito dias após a troca de mensagens, em 18 de janeiro de 2023, o empresário perseguiu Thays e Willian e efetuou diversos disparos contra o casal, que morreu no local. O crime ocorreu após ele não aceitar o fim do relacionamento com a advogada.
Carlos Alberto responde pelos crimes de feminicídio e homicídio qualificado.
Júri foi remarcado
O julgamento, que aconteceria nesta terça-feira, acabou sendo suspenso depois que a defesa abandonou a sessão. A decisão ocorreu após a juíza Monica Catarina Perri Siqueira rejeitar um novo pedido de redesignação da audiência.
Ao negar o requerimento, a magistrada ressaltou que os advogados tiveram tempo suficiente para analisar todos os documentos do processo e afirmou que as informações apontadas como novas já faziam parte dos autos.
Segundo a juíza, a substituição de advogados não interrompe o andamento da ação. Ela remarcou o júri para o dia 31 de julho, às 9h, e determinou que, caso a defesa não constitua um advogado até a nova data, a Defensoria Pública assumirá a representação do réu.
Ministério Público critica estratégia da defesa
Durante a sessão, o promotor Vinicius Gahyva Martins afirmou que o abandono do plenário representa uma tentativa de retardar o julgamento e compromete o funcionamento do Tribunal do Júri, principalmente em casos de grande repercussão social.
Ele destacou que toda a estrutura da sessão já estava preparada, inclusive com a presença de pessoas que viajaram de outros estados para acompanhar o julgamento.
A promotora Élide Manzini de Campos também criticou a nova tentativa de adiamento. Ela lembrou que o júri já havia sido remarcado anteriormente por solicitação da própria defesa e afirmou que não havia fundamento jurídico para um novo pedido, classificando a medida como mais uma manobra protelatória após mais de três anos da ocorrência do crime.
Fonte: Esporte e Notícias