O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, rejeitou o pedido de liberdade apresentado pela defesa da fazendeira Cleusa Bianchini, investigada como uma das mandantes do assassinato do advogado José Antônio da Silva, conhecido como “Dr. Pinga”. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (22).
Conforme a investigação da Polícia Civil, Cleusa teria contratado o pistoleiro Kall Higor Pereira Machado, conhecido como “Meti Bala”, para matar o advogado e, assim, evitar o pagamento de uma dívida de aproximadamente R$ 4,5 milhões referente a honorários advocatícios.
A defesa argumentou que a fazendeira, presa desde julho de 2025, permanece detida há mais de dez meses enquanto o processo aguarda apenas a conclusão da perícia no celular da vítima. Também sustentou que ela é idosa, não possui antecedentes criminais e que todas as audiências já foram realizadas, restando apenas uma diligência técnica sob responsabilidade do Estado. Com isso, solicitou a revogação da prisão preventiva ou, alternativamente, sua substituição por prisão domiciliar.
Ao analisar o pedido, o ministro Herman Benjamin entendeu que não há ilegalidade manifesta capaz de justificar a concessão de uma medida liminar. Segundo ele, em uma análise preliminar, a decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que manteve a prisão preventiva, não apresenta irregularidades evidentes.
O magistrado destacou ainda que a legalidade da prisão poderá ser examinada de forma mais aprofundada durante o julgamento definitivo do Recurso em Habeas Corpus.
Processo complexo
Nas informações encaminhadas ao STJ, o juiz responsável pelo processo afirmou que a tramitação não sofreu atrasos por negligência do Judiciário. Segundo ele, a ação penal envolve quatro acusados, dezenas de testemunhas, quebras de sigilo, perícias em aparelhos celulares, exames técnicos e outras diligências, fatores que tornam o andamento processual mais demorado.
Investigação
Cleusa Bianchini foi presa durante a Operação Procuração Fatal, deflagrada pela Polícia Civil em julho de 2025. Também foram alvos da investigação o filho dela, Alessandro Henrique Vageti, a neta Giovanna dos Santos Vageti e Kall Higor Pereira Machado, apontado como executor do crime.
De acordo com as investigações, a motivação do homicídio seria evitar o pagamento de R$ 4,5 milhões em honorários devidos ao advogado. A Polícia Civil apurou ainda que os investigados acreditavam que José Antônio não possuía herdeiros, o que faria a dívida desaparecer após sua morte.
Dias antes de ser assassinado com um tiro na cabeça, dentro da própria residência em Nova Ubiratã, o advogado enviou mensagens de áudio a familiares relatando que vinha sendo ameaçado. Mesmo diante da situação, afirmou que continuaria conduzindo os processos sob sua responsabilidade.
As investigações também apontam que os envolvidos tentaram eliminar vestígios do crime. No entanto, o cruzamento de provas periciais, dados digitais e informações de inteligência permitiu à Polícia Civil identificar os supostos mandantes e o homem apontado como autor dos disparos.
Fonte: Esporte e Notícias