Barra do Garças - MT

Uso da “fome” como moeda política pressiona Clã de intocáveis em Barra do Garças (MT)

Redação

Se as investigações da Operação Mesa Vazia forem confirmadas pela Justiça, Mato Grosso pode estar diante de um dos episódios mais perversos de desvio de recursos sociais já revelados no Araguaia. Não se trata de superfaturamento de obras, contratos milionários ou disputas burocráticas. Trata-se, segundo a Polícia Civil, do suposto desvio de aproximadamente 13 mil cestas básicas e kits de higiene destinados justamente às famílias que mais precisavam de ajuda.

Segundo as investigações, o esquema teria funcionado entre 2021 e 2025, causando um prejuízo estimado de R$ 1,95 milhão aos cofres públicos. Mas o valor financeiro talvez seja o menor dos danos. O verdadeiro prejuízo está nas mesas que permaneceram vazias, nas crianças que deixaram de comer e nos idosos que aguardavam um auxílio que jamais chegou.

As imagens obtidas pela Polícia Civil causam indignação. Em vez de caminhões seguindo para entidades assistenciais, lar dos idosos ou orfanatos, vídeos mostram cargas sendo descarregadas em imóvel particular.

O juiz Luis Felipe Lara de Souza, do Núcleo de Justiça do Juiz das Garantias de Barra do Garças, negou o pedido de prisão preventiva dos investigados. Contudo, fez questão de registrar que essa decisão não reduz nem minimiza a gravidade dos fatos investigados, deixando claro que a ausência de prisão não representa absolvição ou enfraquecimento das suspeitas.

Quando recursos destinados aos mais pobres desaparecem, a corrupção deixa de ser uma abstração jurídica para se transformar em fome, abandono e sofrimento real.

A Operação Mesa Vazia precisa seguir seu curso com independência, garantindo a todos os investigados o devido processo legal e a ampla defesa. Mas também é dever da sociedade acompanhar cada etapa da apuração, exigir transparência e cobrar respostas.

Porque, quando a corrupção alcança o prato de quem tem fome, ela deixa de ser apenas um crime contra o Estado.

Vídeo: PJC/MT

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