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Seca na bacia do Araguaia-Tocantins põe Estado em alerta e ameaça segurança hídrica regional

juin 21, 2026  Redação  9 views
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Portal Mato Grosso

Mato Grosso, que detém cerca de 35% da área da Bacia do Araguaia-Tocantins, enfrenta um cenário crítico de escassez hídrica que ameaça o equilíbrio ambiental e a logística regional. Segundo o boletim mais recente do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a situação hidrológica da bacia é preocupante, com projeções indicando que a seca, já classificada como severa em diversas áreas, deve atingir níveis extremos ao longo de junho e julho.

Para o estado, a importância dessa bacia é estratégica. O rio Araguaia, que serve como fronteira natural entre o Mato Grosso e os estados de Goiás e Tocantins, é vital não apenas para a biodiversidade — sustentando ecossistemas como o Parque Estadual do Araguaia e o Pantanal do Araguaia —, mas também como um corredor logístico e fonte de recursos para municípios mato-grossenses como Barra do Garças, Cocalinho e São Félix do Araguaia.

Impacto além da margem dos rios

O levantamento do Cemaden, que utiliza o Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI), alerta que os níveis de vazão nos rios da bacia estão sistematicamente abaixo da média histórica. Esse déficit hídrico reflete um desequilíbrio que afeta o uso múltiplo da água, desde a pecuária e a agricultura familiar das regiões banhadas pelo Araguaia até a viabilidade do transporte fluvial na região Centro-Norte.
Embora o Mato Grosso concentre uma parcela significativa da bacia, o impacto da seca se estende para além das divisas estaduais, conectando o estado a um problema de escala nacional. A bacia Tocantins-Araguaia, que é a maior totalmente brasileira, desempenha um papel fundamental na estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). A queda nos níveis dos reservatórios da bacia, caso se agrave, coloca em risco a geração de energia hidrelétrica e aumenta a pressão sobre os custos de operação do setor elétrico em todo o país.

Ausência de monitoramento estadual

Apesar da escalada da crise, a resposta institucional tem sido limitada. Questionado sobre planos de contingência, ações de mitigação ou estratégias para a preservação das nascentes e margens dos rios afetados, o Governo de Mato Grosso não apresentou posicionamento oficial até o fechamento desta reportagem.

Especialistas em recursos hídricos alertam que o cenário é de “falta de margem para erro”. Com previsões meteorológicas indicando a persistência de chuvas abaixo da média e o risco real de evolução da seca para patamares extremos nas próximas semanas, a gestão da água torna-se o principal desafio para evitar que o Araguaia chegue a níveis históricos de redução, como os registrados em anos anteriores, onde a seca comprometeu severamente a pesca e a sobrevivência das comunidades ribeirinhas e indígenas que dependem diretamente do rio.


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