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Barra do Garças - MT

Vice-prefeito de Lucas do Rio Verde financiou esquema de Mauro Mendes

O vice-prefeito de Lucas do Rio Verde (335 km de Cuiabá), Joci Piccini, teria participado do financiamento inicial da estrutura investigada pela Polícia Federal por supostamente beneficiar o ex-governador Mauro Mendes (União) e o então chefe da Casa Civil Fábio Garcia (União). A informação consta em reportagem publicada pelo site Metrópoles, com base na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a Operação Heritage.

A apuração tem origem na compra, por R$ 80 milhões, de direitos creditórios da Oi contra o Estado de Mato Grosso pelo escritório Ricardo Almeida – Advogados Associados. Posteriormente, os créditos foram repassados a dois fundos de investimento. Em abril de 2024, o Governo do Estado firmou acordo que resultou no pagamento de aproximadamente R$ 308 milhões.

De acordo com a investigação reproduzida pelo Metrópoles, depois que o dinheiro saiu dos cofres públicos, os valores teriam circulado por uma sequência de fundos e empresas até alcançar negócios relacionados às famílias de Mauro Mendes, Fábio Garcia e dos Piccini. A Polícia Federal apura se a estrutura foi utilizada para dificultar o rastreamento dos recursos e conferir aparência de legalidade às operações.

Um dos caminhos identificados pela investigação envolveria a Parecis Bioenergia. Conforme a reportagem, um dos fundos que recebeu recursos ligados aos direitos creditórios da Oi transferiu valores ao Zurich FIM, que posteriormente repassou dinheiro ao London FIP. Esse fundo teria adquirido participações societárias da Parecis Bioenergia que estavam nas mãos do 5M Capital.

Segundo a investigação citada na reportagem, o 5M Capital seria controlado pela família de Mauro Mendes por intermédio do GS Heritage, fundo que deu nome à operação. Para Flávio Dino, essa movimentação teria permitido que dinheiro de origem pública chegasse ao patrimônio privado dos investigados sob a aparência de uma operação societária regular.

O Metrópoles também relata que Mendes e a família Piccini teriam sido sócios na Parecis Bioenergia, empreendimento voltado à instalação de uma usina de etanol de milho em Diamantino. Reportagem anterior citada pelo site apontava previsão de investimento de R$ 750 milhões no projeto e informava a presença de famílias empresárias e fundos entre os investidores.

A Operação Heritage também alcançou diretamente Joci Piccini. A decisão determinou o sequestro e bloqueio de bens do vice-prefeito e de seu irmão, Hilário Renato Piccini, falecido em maio. Segundo o Metrópoles, os sigilos bancário e fiscal dos dois também foram alcançados pelas medidas autorizadas pelo STF.

Entre as empresas ligadas à família Piccini citadas como alvos estão a Amazônia Máquinas, Parecis Bioenergia, Dona Iracema Participações e Araguaia Agrícola. Esta última, conforme a reportagem, possui capital social de R$ 368 milhões. A família também atua por meio da RRP Energia, que obteve neste ano linha de crédito de R$ 1 bilhão junto ao BNDES para implantação de uma usina de etanol de milho em Mato Grosso.

Joci Piccini também preside a Fundação Rio Verde, responsável pela realização da Show Safra, uma das principais feiras do agronegócio de Mato Grosso.

Mauro Mendes negou irregularidades e defendeu a legalidade do acordo firmado pelo Estado. Segundo ele, o procedimento passou pela análise de procuradores, foi homologado judicialmente e submetido a órgãos de controle.

“Esse acordo passou por diversos procuradores, foi homologado pela Justiça, analisado como legal e vantajoso pelo Tribunal de Contas, Ministério Público de Contas e Ministério Público Estadual. Portanto, o pagamento feito pelo Governo do Estado foi correto, está dentro da legalidade”, afirmou.

A reportagem do Metrópoles informou ainda que tentou contato com Joci Piccini por meio da Prefeitura de Lucas do Rio Verde e da Fundação Rio Verde, mas não obteve manifestação.

Fonte: Esporte e Notícias

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