Artigo: Como conseguiram acabar com Aragarças-GO?

Artigo: Como conseguiram acabar com Aragarças-GO?

Onde foi parar a cidade que um dia encantou o Oeste de Goiás?

02/10/2026 15:55
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Redação

A cidade completa hoje 73 anos de emancipação político-administrativa.

Aragarças já foi chamada de Capital Goiana do Araguaia.

Houve um tempo em que a cidade tinha movimento, tinha temporada, tinha vida nas margens do rio. A Praia Quarto Crescente era destino de férias. A Avenida Beira Rio era palco.

Havia uma espécie de efervescência que hoje sobrevive principalmente na memória de quem viveu aqueles anos.

Quem viu a cidade receber artistas como Tony Garrido, Fagner, Zeca Baleiro e Joelma sabe que Aragarças já teve uma ambição que hoje parece, no mínimo, mais discreta.

Tinha identidade.

E tinha algo que talvez seja ainda mais importante para uma cidade turística: tinha capacidade de fazer as pessoas quererem voltar.

O problema, portanto, não é simplesmente ter envelhecido. É ter envelhecido sem construir uma nova vocação.

O Araguaia continua lá.

A Praia Quarto Crescente chegou a necessitar de intervenção judicial para evitar sua completa deterioração.

Quando a narrativa passa a valer mais do que a realidade

Talvez um dos fenômenos mais curiosos da política seja a capacidade de determinadas administrações e grupos políticos de produzir uma realidade paralela.

Na realidade oficial, tudo funciona.

Na realidade do cidadão, nem sempre.

Na propaganda, há avanços.

Uma fotografia aqui.

Uma inauguração ali.

Uma solenidade acolá.

Uma publicação nas redes sociais.

Um discurso cuidadosamente elaborado.

Mas há uma pergunta que nenhuma fotografia consegue esconder:

o que efetivamente mudou na vida da população?

A política pode conversar com a religião.

Mas não pode ser governada pela lógica do púlpito.

Prefeitura é Prefeitura.

Igreja é Igreja.

Talvez os filhos e netos daqueles que conheceram a Aragarças movimentada, iluminada, festiva e acolhedora decidam não aceitar como destino aquilo que aprenderam a chamar de normalidade.

O Araguaia continuará correndo.

A Quarto Crescente continuará esperando a temporada.

As margens continuarão ali.

E talvez um dia também volte a estar ali aquela velha sensação de que Aragarças pode ser muito maior do que aquilo que seus últimos anos fizeram parecer.

E, se depender das próximas gerações, talvez ainda seja possível olhar para o Araguaia e reconhecer, outra vez, aquela cidade que um dia fez tanta gente atravessar estradas para passar o verão às suas margens.

Amém.
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