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Analista chama polêmica sobre IA de “besteira” e denuncia perseguição a Bolsonaro

O analista político Caio Coppolla criticou a repercussão em torno do uso de inteligência artificial para reproduzir a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro durante o evento de lançamento da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro. Em palestra promovida pelo LIDE, em Cuiabá, Coppolla classificou a discussão como “vazia” e afirmou que o debate tem servido para desviar o foco do que considera uma perseguição política contra o ex-presidente.

Questionado sobre a denúncia apresentada por partidos de esquerda ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob a alegação de propaganda eleitoral antecipada em razão da exibição do vídeo gerado por IA, o analista defendeu que a legislação eleitoral já disciplina esse tipo de conteúdo e autoriza seu uso, desde que haja identificação clara de que se trata de uma simulação.

“Isso deveria ser ponto pacífico no debate público. Toda a legislação que trata da propaganda eleitoral visa combater a desinformação. As próprias resoluções do TSE autorizam o uso da inteligência artificial para manipulação de voz e imagem, desde que o eleitor seja informado. Além disso, a propaganda eleitoral só começa oficialmente em agosto. O que ocorreu em uma convenção é uma manifestação de opinião”, afirmou.

Na avaliação de Coppolla, a polêmica em torno do vídeo acaba ofuscando discussões mais relevantes relacionadas à situação jurídica de Bolsonaro. O comentarista sustentou que o ex-presidente estaria tendo direitos fundamentais violados ao não poder se manifestar publicamente.

“Ao invés de estarmos discutindo essa besteira de inteligência artificial, deveríamos estar debatendo o absurdo que é um ex-presidente da República ter desrespeitada a sua liberdade de expressão. Você não permitir que uma pessoa se expresse é um nível de arbitrariedade e de autoritarismo incompatível com qualquer democracia. Se alguém é atacado publicamente, precisa ter o direito de se defender publicamente”, declarou.

Durante sua fala, Coppolla fez comparações com personagens históricos que produziram obras ou mantiveram comunicação enquanto estavam presos, como Antônio Gramsci, Miguel de Cervantes, Galileu Galilei e o apóstolo Paulo. Segundo ele, até mesmo regimes autoritários permitiam manifestações de pessoas privadas de liberdade.

O analista também comparou a situação de Bolsonaro ao período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve preso, entre 2018 e 2019. Para Coppolla, houve tratamento distinto entre os dois casos.

“Quando o presidente Lula estava preso, ele escrevia cartas, concedia entrevistas, mantinha contas nas redes sociais, recebia lideranças políticas nacionais e internacionais e permaneceu candidato até setembro de 2018. Agora, quando é um expoente do outro espectro político, ele não pode escrever carta, não pode se manifestar, não pode fazer praticamente nada. O que é isso? Vamos impedir as pessoas de pensarem e dialogarem?”, questionou.

Ao concluir, o comentarista voltou a defender que o vídeo exibido no evento não caracteriza desinformação por deixar explícito que se tratava de uma recriação por inteligência artificial.

“O próprio vídeo informa que aquilo é uma simulação. A partir do momento em que o eleitor sabe que é uma peça de ficção, não existe enganação. Essa discussão virou uma grande cortina de fumaça para não enfrentarmos o verdadeiro problema, que é a violação de direitos humanos e garantias fundamentais no processo envolvendo o ex-presidente”, concluiu.

Fonte: Esporte e Notícias

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